segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

SANT' ANNA



Série/ano: Essencial, 2009

Dimensões: 33 X 8cm

Tecnica: Pontos e Linhas sobre papel

"Ao me questionar sobre o que é desenho, concluo que a presença da linha, é algo definitivo para a caracterização e classificação de uma imagem como desenho. Porém o que é uma linh

a? Um conjunto de pontos, responderia nosso livro do primário. E como posso então representar esta linha, enquanto matéria, enquanto essência e deixar com que ele a simplesmente torne-se dona do desenho? Como deixa-la fluir? Acontecer?

Fujo então do figurativo, da representação e passo então ao universo da apresentação.

Ao pensar na linha encontro o ponto. E ao pensar nestes dois elementos, automaticamente, de acordo com minhas referencias e memórias pessoais, as relaciono com alinha e o ponto de costura.


Costurar nada mais é do que construir um objeto através do desenho em sua mais pura essência: ponto e linha sobre o plano, no caso o tecido, que a princípio é plano e só ganha tridimensionalidade ao ser desenhado pela costura.

Outra relação importante do desenho é seu aspecto bidimensional. O Plano do papel, da superfície. Alem disso há a relação da mão com o domínio da ferramenta de desenho, lápis, caneta, etc. Como libertar então o desenho do domínio destas interfaces que interpolam e interferem no desenho?

Automatizá-lo , dar-lhe vida e vez. A mão recebe influencia do imaginário ou do racional, do mental que por sua vez busca significados, indentificações com o mundo real, com o repertório do autor.

Pretendo portanto livrar o desenho destas amarras, faze-lo valer por sua essência. Reencontra-lo enquanto matéria física ou psíquica."

SUSAN SANT' ANNA

Sobre as obras...

Percorrer caminhos paralelos. Caminhos construídos pela c
onvivência, pelo estar em um determinado espaço comum, estabelecendo elos. Paralelos pelo fato de que estes percursos não se cruzam, não deixam de ser individuais.
Percorrem estradas que foram da Serra do Mar, onde a linha não escurecia, mas clareava atalhos d
e bicicleta, pararam em lanchonetes, alimentaram-se, deixaram-se estar por dentro do ser humano,chegando às suas vísceras, explorando o que há de sensível.

Correram por calçadas levando a serem ilustrados em lugares onde nem mesmo queriam estar. Retrataram-se em espaços fechados, passaram por viadutos poéticos, olharam para as vitrines das lembranças onde repousavam as bonecas já não vistas só como objetos.
Chegaram às ruas já há muito não percorridas, envelhecidas, mas respeitadas, repletas de linhas na expressão da face. Por fim, na busca do olhar, andou-se para a luz, e nela encontrou-se caminho na essên
cia da linha, não só desenhada, mas costurada.
Francisco Cardoso